A resposta é a pergunta

Hoje em dia podemos dizer que existe Google pra tudo, certo? Qualquer dúvida, vamos lá…! digitamos e pronto! Resposta pronta!

Uma das maiores empresas do mundo tem como modelo de negócios responder às perguntas que as pessoas fazem. O problema das perguntas que as pessoas fazem é que elas ficaram tão superficiais e sem imaginação que o robozinho já consegue adivinhar qual pergunta será feita em 3 palavras digitadas. Isso porque as pessoas perguntam sempre as mesmas coisas, o tempo todo, todos os dias. Modelo de negócios incrível, que todos conhecemos e adoramos, não é mesmo?

Mas se já há tantas respostas, qual a importância da pergunta? Qual seu valor para as pessoas e para os negócios? O que há de tão especial em formular perguntas?

Pra começar do começo (desconsidere o pleonasmo e foque na lógica do raciocínio, onde não vou dar a resposta final antes, a fim de proporcionar logo o conforto da resposta, o que finalizaria meu texto aqui mesmo), vamos pensar em conceito de mundo e evolução. 

David Cooperrider disse que “nós vivemos no mundo que nossas perguntas criaram”. Profundo, não? Pense um pouco mais sobre essa assertiva e lembre-se de como nosso mundo evoluiu exatamente por causa das perguntas que nossos antepassados fizeram, geralmente de forma provocativa e com foco em mudanças. Já pensou se já tivessem encontrado as respostas para tudo? Nossa tecnologia seria a mesma? Nossa forma de viver seria igual? Com certeza não. Acredito que viveríamos numa calma e entediante vila de pessoas conformadas e pseudofelizes…

O problema da pergunta é o desconforto que ela causa. 

Pense numa criança na faixa etária entre 2 e 5 anos. Sabe quantas perguntas elas fazem, em média, por dia? Não chute, pergunte a algum pai ou mãe… ou…Respondo: 500! Isso mesmo! Não é chute, é estatística, um pestinha questionador passa um dia inteiro perguntando, até seus pais o mandarem calar a boca e parar de perguntar. Por que temos que parar de perguntar, se a exploração do mundo à nossa volta depende de questionamentos? 

Agora pense num cientista que não faz perguntas. Onde acha que ele vai chegar, se não esgotar sua fase exploratória com inúmeros questionamentos? Essa vou deixar você mesmo responder, pois é fácil. 

A grande questão é que, quanto mais as respostas estão disponíveis, mas necessárias são as perguntas. Não conseguimos falar em inovação, por exemplo (eita, palavra falada nos últimos anos!), sem levarmos em conta que o ponto inicial dela é exatamente a pergunta estruturada. Não há um passo à frente sem essa disrupção de paradigmas, construída exatamente com a ferramenta mais afiada que existe: a pergunta. 

O questionamento é a maior ferramenta para se repensar e reinventar a vida. Tanto é verdade que grandes empresas estão integrando o questionamento no DNA organizacional e, não à toa, percebemos que especialistas têm a propensão de serem questionadores fracos, pois já pararam de pensar porque já sabem sobre determinado assunto. Sem desvalorizar os especialistas, já notamos que eles estão cada vez mais raros e menos exigidos no mercado de trabalho. Por quê? Porque líderes bem sucedidos e criativos têm como característica principal serem questionadores experientes. 

É importante e necessário romper os padrões habituais e as hipóteses fáceis com perguntas bem estruturadas. Como bem estruturadas podemos entender aquelas onde o desconforto reside, aquelas que tiram da sua cabeça o que você já sabe e lança um olhar à frente, ao maior. É necessário ter a coragem de se manter perguntando por toda a vida, seja profissional ou pessoal. A evolução sempre vem disso. 

Pense em perguntas, antes de ir atrás de respostas, e não se preocupe com soluções o tempo todo. Disse Uri Levigne o seguinte:

“ Se você começar com uma solução, pode estar construindo  algo que ninguém se importe.” 

Não comece com soluções, com respostas. Comece do começo. A resposta está na pergunta. 

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